Nos últimos cinco anos, o preço médio do café apresentou incremento acumulado de 110%, evoluindo de 598,00 R$/sc para 1.259,00 R$/sc. No mesmo período, os custos cresceram ao longo do mesmo período, em torno de 70% , enquanto a produtividade permaneceu praticamente estável.
Diante de um cenário amplamente favorável, comercializar a bons preços pode parecer suficiente para assegurar um bom resultado econômico. No entanto, outros fatores seguem determinantes para o equilíbrio da atividade. É indispensável compreender como o preço de venda impacta a margem, pois isso amplia a capacidade de análise do produtor, que entende o potencial de ganhos nos momentos de alta, mas também reconhece que o resultado não depende exclusivamente das cotações quando o mercado se move em sentido contrário.
Tabela 1. Relação entre margem bruta (R$/hectare), preço médio de venda (R$/sc) e produtividade (sc/ha) na safra 2024/2025.

Fonte: Departamento de Inteligência da Labor Rural.
De acordo com os dados analisados, fica evidente que fazendas com baixa produtividade são mais sensíveis às oscilações de mercado.
De acordo com a Pine Agronegócios, estima-se que, em 2027 as áreas em produção aumentarão em 11% em relação a 2025, e em 2028 esse aumento poderá chegar a 13%, o que pode representar, nos próximos anos, maior oferta e possível pressão sobre os preços de comercialização.
De acordo com os dados, propriedades com produtividade inferior a 61 sc/ha tendem a ser as mais impactadas, uma vez que, nesse patamar, o preço de venda ainda sustenta parte relevante das margens. À medida que a produtividade aumenta, mantendo-se custos equilibrados, a dependência das variações de mercado diminui.
As fazendas classificadas como superiores no projeto demonstram maior resiliência. Mesmo diante de uma redução de preços de aproximadamente 50%, ainda operariam com margem suficiente para custear diretamente ao menos mais uma safra. Já as propriedades de menor desempenho, sob a mesma condição de queda de preço, não conseguiriam sequer cobrir seus desembolsos, o que comprometeria a continuidade da atividade no curto prazo, sem o aporte de capital externo, e caso o cenário se mantivesse.