Em 2026, a instabilidade nos mercados globais, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio, elevou os preços de energia e impactou diretamente o agronegócio brasileiro. Na atividade leiteira, os principais efeitos foram observados no diesel, com alta de 20,3% entre janeiro e março, e nos fertilizantes, que subiram cerca de 40%, com destaque para a ureia (+83%).
Dentro do custo operacional do leite, energia e combustíveis representam cerca de 7% (4% energia e 3% transporte), enquanto os volumosos correspondem a aproximadamente 14%, sendo fortemente dependentes desses insumos. Na silagem de milho, por exemplo, fertilizantes e diesel respondem por 38% e 10% do custo, respectivamente. Mesmo com menor participação no custo total, a alta do diesel já gera impacto direto de cerca de R$ 0,01 por litro. Considerando o cenário atual, projeta-se aumento de 18% no custo da silagem, elevando o custo do leite em aproximadamente R$ 0,06 por litro; somado ao transporte, o impacto total pode chegar a R$ 0,07 por litro produzido.
A análise entre grupos de fazendas reforça que a eficiência é o principal fator de proteção nesse cenário. Propriedades mais eficientes apresentam custos com volumosos 34% menores e com combustíveis 42% inferiores, além de maior produtividade (28 vs. 23 litros/vaca/dia). Essa diferença permite maior diluição de custos, resultando em melhor margem e maior capacidade de enfrentar períodos de pressão.
Tabela 1: Custo Operacional Efetivo do leite em R$/litro. Estratificados por rentabilidade.

Fonte: Departamento de Inteligência da Labor Rural. Dados de propriedades da atividade leiteira analisadas para o período de janeiro/2025 a dezembro/2025, corrigidos pelo IGP-DI de Fevereiro/2026.
Em um cenário de custos crescentes impulsionados por fatores externos, o foco deve estar no que está sob controle do produtor: elevar a eficiência produtiva das vacas e das lavouras, corrigir falhas técnicas e otimizar o manejo alimentar. Fazendas mais eficientes sentem menos os impactos por utilizarem melhor seus recursos, enquanto sistemas ineficientes ampliam suas fragilidades. Culpar o mercado não resolve, o avanço depende de informação de qualidade, consultoria capacitada e capacidade de gestão para enfrentar um ambiente cada vez mais desafiador. Afinal, marinheiro bom se forma no mar revolto, não na calmaria.