A transição para um sistema regenerativo de cafeicultura geralmente é encarado como um aumento de custos com redução de produtividade, entretanto é preciso desmistificar. Ao analisarmos os dados das propriedades acompanhadas pela Labor Rural que evoluíram de uma agricultura convencional para um sistema regenerativo, é possível observar o oposto.
A adubação via solo, se pensarmos em manejo, é a atividade dentro da cafeicultura com maior desembolso para o produtor, e no processo de transição de sistema, foi possível observar uma redução nos custos desta atividade na casa de aproximadamente 18%, o que pode significar que além além da utilização de fontes alternativas como compostos orgânicos, há também um maior planejamento da atividade, resultando nesta redução. Se descontarmos o valor pago pela colheita e pós-colheita, por se tratarem de atividades relacionadas à produção, é possível observar uma redução nos custos de aproximadamente 20%.
Tabela 1. Custo por atividade e participação no COE das propriedades que transacionaram para sistemas regenerativos (safras 2023/2024 e 2024/2025).

Fonte: Labor Rural. Dados safra 2024/2025. Corrigidos pelo IGP-DI de setembro de 2025.
Quando analisamos o controle de pragas e doenças, observa-se um aumento de aproximadamente 19% em relação às fazendas convencionais. Esse resultado era esperado, pois se trata de uma atividade que influencia diretamente a produtividade. O acréscimo está relacionado às intervenções necessárias e ao uso de insumos de maior valor agregado, como a adoção de bioinsumos, por exemplo.
Esse conjunto de mudanças mostra que a sustentabilidade, na prática, não depende necessariamente de maiores investimentos, mas de melhor alocação dos recursos, maior regularidade das operações e intervenções feitas no momento certo. À medida que a produtividade cresce sem aumento proporcional na carga de insumos, o impacto por unidade produzida cai . A eficiência passa a ser o elo entre a economia e o meio ambiente: lavouras com melhores processos gerenciais tendem a, naturalmente, ser mais produtivas, e podem vir a ser mais sustentáveis.