O mercado de comodities agrícolas é historicamente caracterizado pela posição do produtor como um tomador de preços, em que as cotações são fortemente marcadas pela lei da oferta e da demanda. Essa característica, evidencia a importância dos produtores em ações dentro da propriedade, na obtenção de boas produtividades de forma eficiente, com custos equilibrados.
Apesar de ser um importante fator na construção de resultados, estudos recentes tem mostrado que o preço tem impacto limitado nas margens. Isso reforça que vender por um preço elevado auxilia, mas não garante, sozinho, que o produtor terá uma margem maior, sendo a produtividade o fator ainda mais determinante.
Tabela 1. Relação entre margem bruta (R$/hectare), preço médio de venda (R$/kg) e produtividade (kg/ha) na safra 2024/2025.

Fonte: Departamento de Inteligência da Labor Rural.
No cenário analisado, as propriedades superiores estão muito menos susceptíveis as oscilações de preço para garantir sua margem, entretanto é preciso atenção a um mercado cada vez mais volátil e imprevisível. Em contrapartida, o produtor de menor produtividade (156,28 kg/ha), que obteve certa sobrevida nos últimos anos com os valores recordes de comercialização, opera em extrema vulnerabilidade. Por só conseguirem cobrir os custos de produção no cenário otimista (R$ 47,00/kg), estas propriedades se tornam negócios de altíssimo risco, e que provavelmente serão descontinuadas ou não manejadas nos próximos anos.
Desse modo, a conclusão é clara, o preço impacta, mas não é tudo. A produtividade associada a um custo de produção eficiente atua como um seguro contra as oscilações de preços, blindando o produtor. Por outro lado, mesmo no cenário mais favorável em preços de comercialização o produtor com maior produtividade (2.560 kg/ha) possui uma margem 66 vezes maior que o de menor produtividade (R$ 87 mil vs R$ 1,3 mil).