Você já sabe que por se tratar de uma empresa a céu aberto, a cacauicultura pode ser vista como um investimento de alto risco. A lucratividade é um importante indicador na mensuração deste risco pois através dela é possível entender quanto é possível ter de variação na produção, custos e preço de venda até que a margem líquida seja igual a zero.
Em média a lucratividade das propriedades acompanhadas pela Labor Rural para a safra 2023/2024 é de 64%, fortemente ancorada nas máximas históricas de preços, indica um risco baixo da atividade, porém é importante analisarmos os produtores superiores, que são aqueles com maior margem líquida por hectare, e os inferiores, que são os com menor margem líquida por hectare, de cada estado, pois há grande variação dos dados.
Gráfico 1. Lucratividade média por região na safra 2024/2025.

Fonte: Departamento de Inteligência da Labor Rural.
O estrato inferior da Bahia apresenta o cenário mais preocupante, com média negativa de -54%, representando alto risco financeiro e comprometimento da sustentabilidade da atividade. No Espírito Santo, nas propriedades do estrato inferior, a média positiva de 27% sugere que, apesar dos desafios, muitas delas ainda operam com relativa eficiência, possivelmente reflexo de maior tecnificação. No estado do Pará, a média de 40% entre as inferiores aponta para um desempenho de baixo risco, possivelmente reflexo produtividades acima do ponto de cobertura operacional total, com baixos custos.
Em contraste, os estratos superiores dos três estados demonstram resultados sólidos, com média de lucratividade de 74%, o que reforça o papel das boas práticas produtivas não apenas na elevação da produtividade, mas também na redução do risco da atividade.