O momento de implantação exige investimento elevado, podendo ultrapassar R$ 100.000 por hectare, a depender do preparo da área, do manejo inicial e do sistema de produção adotado.
Neste contexto, cresce a discussão em torno da utilização de materiais clonais como caminho para obtenção de altas produtividades. Mas, na prática, como se comportam os indicadores econômicos e produtivos das propriedades que adotam lavouras clonais quando comparados aos sistemas híbridos?
Tabela 1. Produtividade (kg/hectare) de acordo com o tipo de material genético adotado pelas fazendas assistidas pela Labor Rural na safra 2024/2025:

Fonte: Departamento de Inteligência da Labor Rural. Resultados médios da safra 2024/2025. Corrigidos pelo IGP-DI de Janeiro de 2026.
É possível observar, a partir do Custo Operacional Efetivo, que lavouras clonais tendem a receber manejos mais intensivos, apresentando desembolso médio 12% superior ao das lavouras híbridas. No entanto, custo baixo não garante o melhor resultado econômico.
Veja que mesmo operando com custo mais elevado, as lavouras de cacau clonal entregaram produtividade 31% superior. Esse ganho altera completamente o panorama do sistema, porque a correlação entre produtividade e margem líquida, indicador que expressa o valor efetivamente retido pelo produtor após descontados os custos variáveis, mão de obra familiar e depreciações, é bastante elevada, alcançando 80%. Como consequência, essas áreas também apresentaram margem líquida aproximadamente 30% maior.
Além do avanço produtivo, a adoção dessa estratégia no processo de renovação traz um componente adicional de segurança ao produtor rural. Lavouras de cacau clonal podem reunir características de maior tolerância a doenças de alta pressão de infecção, como vassoura-de-bruxa e podridão-parda, favorecendo maior estabilidade produtiva e ampliação da longevidade da lavoura.