Muitas informações sobre desempenho técnico e econômico de produtores de leite são geradas empiricamente, sem empregar métodos científicos, o que pode provocar erros de interpretação. Neste sentido, comparar produtores com base em um conjunto de indicadores gera seus desafios, pois cada produtor poderá ser melhor em um indicador do que em outro, ofuscando uma conclusão sistêmica e precisa. Além disso, quanto mais aumentar o número de produtores analisados, mais complexo fica compará-los, sem um índice que agregue vários indicadores simultaneamente.
Para contornar esta dificuldade, pode-se utilizar métodos estatísticos ou de programação matemática, que produzem um índice de desempenho técnico e, ou, econômico único com precisão. Um método bastante empregado é o método de programação matemática, que gera um índice, que agrega o resultado de vários indicadores individuais, chamado de “indicador de eficiência técnica ou econômica relativa”, a depender das variáveis escolhidas para análise. São indicadores de eficiência relativa por compararem os produtores com os demais pares, dada uma amostra específica em estudo, ou seja, são eficientes ou ineficientes em relação aos pares analisados.
Neste trabalho este método foi aplicado a uma amostra de 98 propriedades leiteiras do sistema Compost Barn (CB), do banco de dados gerenciado pelo Departamento de Inteligência da Labor Rural, referente ao ano de 2023, retirando eventuais outliers. Os dados econômicos foram deflacionados pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de fevereiro/2025. Aplicando este método, são identificados os produtores que são mais eficientes na geração de produto (neste caso, a “Renda bruta do leite (R$/ano)”, que é a produção anual multiplicada pelo preço médio do leite e “Renda bruta da atividade (R$/ano), que é resultado do indicador anterior somado a outras rendas, como venda de animais, variação do inventário anual, dentre outras), dados os insumos e recursos utilizados (neste caso, o “Custo operacional total da atividade (R$/ano)”, que corresponde ao somatório do custo operacional efetivo com o custo da mão de obra familiar e depreciações, o “Estoque de terra utilizada (hectares)”, que corresponde à área destinada à atividade sem R.L. e APP , e o “Estoque de animais utilizados (cabeças)”, que representa o total de animais da atividade). Os mais eficientes são chamados de benchmarks e recebem o “índice de eficiência na geração de renda bruta (%)” igual a 100%. Todos os demais são comparados com seus pares mais equivalentes, identificados pelo próprio método, e o seu “índice de eficiência na geração de renda bruta (%)” é proporcional a essa ineficiência identificada ao comparar com seus pares.
Suponha que numeramos as fazendas de 1 a 98. Quando o CB de nº 1, por exemplo, numa amostra de 98 CB se depara com outro (por exemplo, o de nº 42) que obteve uma geração de produto superior à sua, com estruturas de insumos e recursos equivalentes às suas, o CB 42 passa a ser seu benchmark ou referência. Já o CB de nº 1, neste caso, terá sua eficiência calculada de forma proporcional às relações identificadas pelo método.
A Tabela 1 mostra as variáveis utilizadas nas análises, médias, desvio-padrão e coeficiente de variação (%).
Tabela 1. Estatísticas descritivas das variáveis utilizadas para análise (n =98).

Na Tabela 2 temos os resultados do “índice de eficiência na geração de renda bruta (%)” dos eficientes, que foi igual a 100%, dos ineficientes, que foi igual a 79,98% e da amostra completa, que foi de 83,65%. Os produtores eficientes maximizaram a geração de produto sobre seus insumos e recursos sendo, portanto, 100% eficientes, quando comparados com seus pares. Oitenta produtores com eficiência menor que 100% não conseguiram essa maximização, com uma diferença de aproximadamente 20% a menos.
Tabela 2. Índice de eficiência na geração de renda bruta (%) de Compost Barn (n=98).

Uma eficiência de 79,98% significa que os CB ineficientes (eficiência menor do que 100%) geraram cerca de 20% abaixo do necessário em renda bruta, com os mesmos insumos e recursos analisados, para serem 100% eficientes. Em um mercado onde os preços do produto são dados, só resta aos CB’s e demais produtores serem eficientes da porteira para dentro, mas como saber se são ou não eficientes, se não houver comparação com seus pares? De posse da sua posição no grupo gerado pelas análises, o CB ineficiente pode buscar seu benchmark e conhecer suas práticas, procurando se equiparar a este conforme apresentado na Tabela 3. Os resultados das fazendas que são referências devem ser entendidos como norteados para a tomada de decisão.
Na Tabela 3 são comparados com relação ao seu desempenho técnico e econômico os produtores eficientes (benchmarks) e produtores com eficiência abaixo de 100%, podendo-se observar que as médias das variáveis foram superiores para os benchmarks, permitindo concluir que o índice de eficiência pode ser usado para medir o desempenho dos produtores, unificando um conjunto de indicadores zootécnicos e econômicos num único indicador, facilitando, assim, a gestão da propriedade.
Tabela 3. Comparação do desempenho técnico e econômico entre benchmarks e demais produtores.

Como conclusão retirada das análises deste texto, fica a recomendação para os gestores de Compost Barn e produtores de leite em geral não deixarem de buscar comparações com seus pares sobre seus desempenhos produtivos e econômicos, baseados em análises consistentes, evitando, assim, perdas de renda e até mesmo resultados negativos. Visitem seus pares eficientes, troquem informações sobre o uso dos seus ativos nos seus sistemas de produção. Cooperativas, associações de produtores, empresas de laticínio, assistência técnica e gerencial, dentre outros, podem fomentar um bom intercâmbio, uma vez que contam com os meios de coletar os dados dos produtores. Se possível, deve-se realizar análises frequentes, já que um ano é muito tempo para se promover ajustes para melhorar a eficiência.